15.6.09

um tempo, dois tempos e metade de um tempo...

Uma vida vivida, bastante quilometragem, terreno bom e terreno ruim. Agora é começar tudo de novo, fazer melhor, fazer com mais amor.

Não sei se faria diferente se pudesse voltar atrás. Temos tantas escolhas durante nossa caminhada que fica quase impossível dizer que seria melhor ou pior ter tomado determinado rumo.

Só me arrependo do que não fiz. Tenho um mundo inteiro de coisas ainda por fazer. Isto é bom. Carrego dentro de mim a serenidade do caminheiro.

O tom da nova caminhada cabe em poucas palavras:

"Para a terra bruta: Ação.
Para a erva daninha: Correção.
Para a escolha das sementes: Inteligência.
Para a terra fecundada: Trato.
Para a espera da colheita: Paciência."

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21.3.08

Uma fábrica de chicotinhos

Francamente, não entendo.

Sexta-feira da paixão, feriado (ué, não éramos um estado laico?), celebração convencionada do martírio. Logo de manhã, sou visitado por um senhor, provavelmente testemunha de Jeová, portando um estranho convite. Ele me convida para a celebração da morte de Cristo.

O folheto muito bem produzido trazia datas de reunião numa comunidade próxima, nada de anormal, mas voltei pra dentro de casa incomodado. "Celebração da morte". Quem diabos celebra morte ? E ainda, que rebumbê do cacete em cima de sofrimento e morte é este ? Vou abrir uma fábrica de chicotinhos e faturar em cima dessa morbidez pouco racional.

"Encenação da paixão e morte", penitentes se escalavrando e ainda achando bonito mostrar suas mazelas na televisão, celebração da morte...

Olha, com todo respeito, vão à merda.

A religião dos outros é direito deles, assim como me reservo o direito à minha, e à minha opinião. Mas não me aborreçam nem tentem me empurrar essa doença - eu ia dizer fixação - de sofrimento, dor, morte e cia. ltda.

Me desculpem, mas não consigo fixar a imagem do divino mestre sangrando, penando e morrendo indefinidamente. Isso é doença mental, gostar de sofrimento.

A imagem do mestre que tenho na mente é dele ensinando, curando, levantando o moral de excluídos, brincando com crianças. Uma porcentagem muito grande da minha vida é guiada e modelada de acordo com o exemplo dele. Eu vivo com ele no pensamento 365 dias por ano, não só durante uma semana.

Eu repudio essa bagagem nefasta de sofrimento e dor ad nauseam. Há muito tempo eu abracei o presente que ele deixou a todos: vida, e vida em abundância. Por todos os pontos de vista, me considero um abençoado. De muitas maneiras, ele está comigo, e me sinto protegido.

Desculpa aí, mas eu escolhi o Cristo vivo.


P.S.: não, não sou católico, nem pentecostal, nem evangélico. E também não vou dizer.

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3.7.07

Música do dia - Fiery Crash

CD novo do Andrew Bird - Armchair Apocrypha

Segue uma palinha:

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18.6.07

Buoni cane, male cane

tá, tá, tá... cane no singular, cani no plural.

Tenho dois dentro da cabeça: cachorro mau, cachorro bom. Um amigo - da onça - disse: "ótimo que sejam um bom e outro mau, mas os dois são cachorrões !". Beleeeeeza, então é essa a opinião dele sobre mim, não-tão-indiretamente expressa.

O fato é que resolvi batizar os meninos depois dessa. Buoni e Male, simples assim. Aí posso expressar o que me ocorreu com facilidade. Por exemplo, nesta mesma situação do amigo da onça, vejamos o que meus cães teriam a dizer: Buoni - ok, respeito sua opinião; Male - sua irmã não pensa assim.

Estranho ? Sem dúvida. Se é estranho pra você que está lendo, imagine pra mim, que tenho que fazer higiene mental com uma pazinha. Três vezes ao dia, senão o cheiro fica insuportável.

Mas sou apaixonado "per miei due cani". Eles é que têm bronca comigo: Buoni por ter sido deixado a pão e água tantas vezes, e Male por eu tê-lo ignorado ostensivamente por tanto tempo. Atualmente alimento ambos, em iguais proporções.

Durante muito tempo achei que o certo era alimentar só o Buoni, mas esse peste ficou gordo, lerdo e preguiçoso. Na primeira virada da maré, tomou uma sova memorável do Male. Eu mesmo não me suportava nessa época. O Male é ruim mesmo, folgado, irônico, mordaz, e peida fedendo pra cacete; mas não posso ficar sem ele. É tremendamente útil contra chatos e situações encalacradas.

Busco o equilíbrio, mas nas noites enluaradas busco uma Neosaldina.

8.6.07

A cultura do elogio

Cena urbana: Lojas XYZ, 18:40 de uma terça-feira canina. Achei o chuveiro que queria - o puto do antecessor dele queimou conforme a Lei de Murphy. Torci o nariz um pouco para o preço, e me dirigi para a fila do caixa: oito posições de caixa e apenas duas funcionárias atendendo. Dez minutos, quinze, e então uma das funcionárias encontra um problema e precisa ir até a administração. A cara dela é de quem está com medo de ser linchada ali mesmo.

Confesso que pensei no assunto, mas é claro que o medo dela era muito maior do que a disposição dos clientes em criar qualquer banzé. Aos vinte minutos de espera minha irritação já tinha se instalado por uma razão muito simples: o "substituto" da moça, mesmo depois de ser chamado pelo sistema de alto-falantes, nada de se apresentar. Quando ela o vê, ele está todo pampeiro no quiosque do corredor da loja, orbitando uma outra funcionária - muito bonita, concordo - e nós, os palhaços que tiveram a audácia de querer comprar ali, passando dos 25 minutos de espera.
A moça não se aguenta e sai para resolver seu problema, o rapaz ri feito bobo, gesticula, mas ajudar nos caixas, necas. Chegamos aos 30 minutos de espera.
Saí da fila, recoloquei o produto no lugar e saí muito puto, resmungando "o atendimento já foi melhor...". Tinha vontade de xingar muito mais, escrever reclamação, etc., mas a vontade de chegar em casa era maior.

Saí por uma porta do shopping e entrei por outra, não deu vinte metros até a loja ZYC. Já fui perguntando no Atendimento ao Cliente: "Tem chuveiro?". Imediatamente o atendende chama um colega e diz "Por favor, leve este senhor aonde estão os chuveiros". Senhor é a véia, pensei, mas chegando lá o funcionário me indica a gôndola correta, e sugere um produto em promoção. Peguei no ato. Nos caixas - todos operando - ganho um boa noite e sou avisado que ali também posso fazer recarga de celular, se quiser. Tempo total entre entrar e pagar: três minutos. Dez vezes menos tempo, pagando mais barato e sendo atendido com educação e atenção. Caracas !

Voltei ao atendimento ao cliente, e fiz questão de registrar o elogio através do 0800 disponível pra isso. Aí entra um fato engraçado: levei muito mais tempo pra elogiar, do que levaria para reclamar, já que a caixinha de reclamações fica bem visível, com bloquinho e caneta à mão.

Fiquei numa curiosidade danada para saber como seria o sistema de reclamações e elogios da loja que me emputeceu, acabei deixando pra lá. Só sei que daqui pra frente vou elogiar com mais frequência, principalmente serviços e profissionais que mandarem bem em seus trabalhos.

Descer o sarrafo todo mundo sabe descer. Quero ver é elogiar sem melecar. Tá lançada a campanha pela Cultura do Elogio: o que for bom, reconheça !


Update:

Um amigo leitor acertou na mosca o nome da primeira loja, e perguntou por quê não citei os nomes das lojas. Nenhum motivo em especial pra eu ter feito isso, então lá vai: loja vaiada - Lojas Americanas; loja elogiada - Carrefour Bairro

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9.5.07

meu novo mouse

eu sei... eu sei... seca de posts. descobri que blogar é um estilo de vida, ao qual estou tentando aderir.

vai a foto do meu novo mouse:

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1.2.07

Rapidinha do Bertrand Russel

"Os homens nascem ignorantes, não estúpidos; a estupidez é o resultado da educação."

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