8.6.07

A cultura do elogio

Cena urbana: Lojas XYZ, 18:40 de uma terça-feira canina. Achei o chuveiro que queria - o puto do antecessor dele queimou conforme a Lei de Murphy. Torci o nariz um pouco para o preço, e me dirigi para a fila do caixa: oito posições de caixa e apenas duas funcionárias atendendo. Dez minutos, quinze, e então uma das funcionárias encontra um problema e precisa ir até a administração. A cara dela é de quem está com medo de ser linchada ali mesmo.

Confesso que pensei no assunto, mas é claro que o medo dela era muito maior do que a disposição dos clientes em criar qualquer banzé. Aos vinte minutos de espera minha irritação já tinha se instalado por uma razão muito simples: o "substituto" da moça, mesmo depois de ser chamado pelo sistema de alto-falantes, nada de se apresentar. Quando ela o vê, ele está todo pampeiro no quiosque do corredor da loja, orbitando uma outra funcionária - muito bonita, concordo - e nós, os palhaços que tiveram a audácia de querer comprar ali, passando dos 25 minutos de espera.
A moça não se aguenta e sai para resolver seu problema, o rapaz ri feito bobo, gesticula, mas ajudar nos caixas, necas. Chegamos aos 30 minutos de espera.
Saí da fila, recoloquei o produto no lugar e saí muito puto, resmungando "o atendimento já foi melhor...". Tinha vontade de xingar muito mais, escrever reclamação, etc., mas a vontade de chegar em casa era maior.

Saí por uma porta do shopping e entrei por outra, não deu vinte metros até a loja ZYC. Já fui perguntando no Atendimento ao Cliente: "Tem chuveiro?". Imediatamente o atendende chama um colega e diz "Por favor, leve este senhor aonde estão os chuveiros". Senhor é a véia, pensei, mas chegando lá o funcionário me indica a gôndola correta, e sugere um produto em promoção. Peguei no ato. Nos caixas - todos operando - ganho um boa noite e sou avisado que ali também posso fazer recarga de celular, se quiser. Tempo total entre entrar e pagar: três minutos. Dez vezes menos tempo, pagando mais barato e sendo atendido com educação e atenção. Caracas !

Voltei ao atendimento ao cliente, e fiz questão de registrar o elogio através do 0800 disponível pra isso. Aí entra um fato engraçado: levei muito mais tempo pra elogiar, do que levaria para reclamar, já que a caixinha de reclamações fica bem visível, com bloquinho e caneta à mão.

Fiquei numa curiosidade danada para saber como seria o sistema de reclamações e elogios da loja que me emputeceu, acabei deixando pra lá. Só sei que daqui pra frente vou elogiar com mais frequência, principalmente serviços e profissionais que mandarem bem em seus trabalhos.

Descer o sarrafo todo mundo sabe descer. Quero ver é elogiar sem melecar. Tá lançada a campanha pela Cultura do Elogio: o que for bom, reconheça !


Update:

Um amigo leitor acertou na mosca o nome da primeira loja, e perguntou por quê não citei os nomes das lojas. Nenhum motivo em especial pra eu ter feito isso, então lá vai: loja vaiada - Lojas Americanas; loja elogiada - Carrefour Bairro

2 comentários:

Duval disse...

Já que comecei a falar, deixe que eu fale: VIVA a CULTURA DO ELOGIO!!!!
Me coloca dentro dessa.

Anônimo disse...

Aposto que a primeira loja era a Americanas...
E o nome da segunda?
Não entendi pq não colocar o nome de ambas. Ambas mereciam ser citadas!