5.12.06

AJAX versus JAKOB

Existe vida inteligente na Web.

O Rogério Gonçalves é Webmaster do Vila Isabel Digital, um site que utiliza largamente a tecnologia AJAX (Asynchronous Javascript and XML), que reduz o tráfego cliente/servidor e torna as páginas mais ricas em recursos. O Jakob Nielsen é a bola da vez em usabilidade et alii, com centenas de milhares de lambe-bolas jogando confete, rios de dinheiro entrando com venda de livros, mídia impressa e digital chovendo de citações, etc, etc, ad nauseam...

O Jakob é bom mesmo no que faz, e defende o ponto de vista dele com louvor. O que me dá nos calos é um grupo grande de profissionais e não-tão-profissionais pegarem o cara e endeusarem. Acredito que nem o próprio Nielsen defenda a posição dele como absoluta. Infelizmente isto é muito comum por aqui.

Fico feliz quando aparece um pra sacudir a grade, chamando a cachorrada toda para o debate e discordando dos supostos "gurus", como o Rogério fez com este artigo publicado numa das listas de discussão que eu assino: Ajax-Brasil. Acho que ele não precisava ter malhado Jakob feito um Judas, mas a argumentação é excelente e bem fundada, tipo de texto que eu não via já faz algum tempo. Ô Rogério, eu concordo com o Rodrigo Leite, tem que publicar este artigo lá no seu site sim ! Toca fazer barulho e botar a moçada pra pensar ! Tou fazendo minha parte na divulgação. Segue o artigo na íntegra:



"Os frameworks existem desde o tempo em que só haviam scripts em Perl. A diferença, é que estes scripts ficavam armazenados exclusivamente nos diretórios cgi-bin dos servidores e para utilizar os métodos e funções dos frameworks (que na época eram conhecidos como scripts-cgi), os Webmasters tinham de passar os parâmetros através de formulários, resultando que qualquer tipo de validação de dados, por mais simples que ela fosse, obrigatoriamente tinha de ser submetida aos servidores e, consequentemente, por pura falta de alternativa, os sites estilo Mosaic reinavam absolutos, já que naquela época não havia como executar scripts no lado cliente.

Com o lançamento do JavaScript em 1995, este cenário começou a mudar radicalmente, já que muitas das tarefas que antes eram exclusivas do lado servidor, também passaram a ser executadas no lado cliente, reduzindo a sobrecarga tanto dos servidores, quanto das leeeeeeentas conexões de 2,4 kbps.

A implementação do JS nos sites ia bem até mais ou menos o final de 1997, com a adoção dos frames e a execução de parte do código (como a submissão de forms) em janelas, soluções simples que, já naquela época, permitiam que os sites simulassem (ainda que de forma um pouco rústica) as aplicações desktop, representando assim uma espécie de marco zero do AJAX.

Porém, com o lançamento dos programas editores WYSIWYG (What You See Is What You Get - Netscape Gold, Front Page e DreamWeaver) para web, de uma hora para outra o mercado de desenvolvimento de sites foi invadido por milhões de pessoas que, apesar de jamais terem visto uma tag html na vida, tornaram-se especialistas em internet, surgindo daí os Webdesigners, que praticamente deletaram os Webmasters do mapa, por terem criado um novo paradigma, no qual a beleza passou a prevalecer sobre as técnicas de desenvolvimento para interatividade dos sites, resultando em uma enxurrada de sites esteticamente perfeitos, porém completamente desprovidos de qualquer função no lado cliente, já que os editores WYSIWYG eram fortemente voltados para o estilo Mosaic.

Este novo paradigma, praticamente congelou no tempo a evolução tecnológica dos sites e, para piorar, surgiram os "gurus", oportunistas de plantão que, por não entenderem nada de informática, começaram a pregar para os seus discípulos que a forma "profissional" para desenvolvimento de sites era aquela voltada para o estilo Mosaic, com porrilhões de informações redundantes, chamadas de servidor em todos os links e nada de JavaScript ou janelas, porque estas "ferramentas do mal", desviavam a atenção dos usuários. Para estes pilantras, quanto mais os sites estivessem atrelados ao estilo Mosaic, melhor, de preferência que eles fossem feitos quase em texto puro "para manter a interface limpa e dar maior velocidade de navegação".

Endossando o que dizia Abraham Lincoln: "É possível enganar todas as pessoas por algum tempo, ou enganar algumas pessoas por todo o tempo, mas não é possível enganar a todas as pessoas por todo o tempo.", o AJAX está aí para provar que aqueles "gurus" de araque, especialmente a anta do Jakob Nielsen, estavam apenas fazendo os outros de trouxas com as suas teorias idiotas sobre "profissionalismo" , pois se a essência do AJAX é fazer os sites web atuarem como aplicações desktop no lado cliente, como esse resultado poderia ser alcançado com o uso de técnicas que dependem única e exclusivamente de chamadas de servidor?

A discussão em torno do conceito do AJAX, também coloca em xeque o estigma criado pelos "gurus" em relação a utilização de janelas em sites web. Será que existe alguma aplicação desktop que fique trocando páginas a cada clique do mouse? Ou, será que alguém conseguiria retocar uma imagem cheia de detalhes no PhotoShop sem poder contar com as janelas de RGB ou de pincéis? Pô? Se o Mac, o Windows e até o Linux utilizam janelas para interagirem com os usuários, por que então, os aplicativos baseados em web não deveriam fazê-lo?

Porém, o pior de tudo, é que o surgimento do AJAX colocou em evidência o estrago causado pelas teorias abestadas da turma do Jakob na formação profissional de milhões de jovens no mundo todo, pois como quase nenhum dos "ensinamentos" dos "gurus" podem ser aplicados nos sites AJAX, muitos Webdesigners acabaram perdendo a referência e, de uma hora para outra, foram forçados a buscar novos conhecimentos na área de informática até porque, é praticamente impossível construir sites AJAX utilizando programas editores WYSIWYG.

A busca pelo tempo perdido com as teorias dos "gurus", tem levado os Webdesigners a uma verdadeira caça aos frameworks JS que, para suprirem todas as necessidades de funções interativas impostas pelo AJAX, estão se tornando cada vez mais lentos e pesados, ao ponto de muitas vezes serem confundidos com os aplicativos feitos em Flash ou em puro Java o que, ao invés de ajudar, acaba atrapalhando ainda mais o aprendizado já que, ao invés de aprenderem os métodos nativos do JavaScript, as pessoas aprendem apenas a passar parâmetros para as funções dos frameworks.

Portanto, me parece que é hora dos Webdesigners que ainda não dominam bem as técnicas de informática darem cartão vermelho para as sandices da patota do Jakob, reavaliarem a importância dos frameworks e discutirem melhor as linhas de aprendizado que abrirão as portas do mundo AJAX para eles, pois do jeito como as coisas estão indo, o futuro da profissão ficou meio sombrio.

Pensem nisso.


Um abraço

Rogério Gonçalves"



Taí um cara comprometido com o que faz. Posso não concordar em alguns detalhes, mas tenho que aplaudir a iniciativa, e rezar para que ele contamine os nossos outros colegas de área com o vírus da boa escrita.

Para saber mais, reze pedindo a Santo Google que te ilumine sobre: ajax, usabilidade, projeto de sites

Um comentário:

nora borges disse...

Vim porque queria te dar um grande abraço pela beleza de seu comentário no blog do Inagaki.
Voce foi lindo!